Professores do IFSC levam para sala de aula experiência no mais importante laboratório de Física do mundo

6. outubro 2015 | Escrito por | Categoria: Câmpus São José, Câmpus São Miguel do Oeste, Cotidiano, Matérias
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Todos os participantes da Escola do Cern, de países de língua portuguesa

Os professores de Física do IFSC, Vinícius Jacques, do Câmpus São José, e Diogo Chitolina, do Câmpus São Miguel do Oeste, participaram no mês de agosto de uma experiência única: eles conheceram a Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), o maior e mais importante laboratório de Física do mundo, onde está o Large Hadron Collider – Grande Colisor de Hádrons (LHC), na divisa entre França e Suíça.

A experiência será transformada em projetos de divulgação científica, dentro e fora de sala de aula. O professor Diogo vai lançar um blog sobre física moderna. Já o professor Vinícius está produzindo um documentário sobre o a origem da matéria e a experiência do Cern, em parceria com a IFSCTV. Ele mesmo captou as imagens e realizou as entrevistas.

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Vinícius no túnel do LHC

A proposta de divulgação científica foi um dos critérios utilizados para selecionar os participantes do projeto Escola de Física do Cern, de 30 de agosto a 4 de setembro, em Genebra, Suíça. Antes disso, os professores passaram por Portugal, nos dias 27 e 28 de agosto, para conhecer o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) e participar de uma preparação para o Cern.

A Escola de Física do Cern é destinada a professores de países europeus. Como resultado de negociações por parte de pesquisadores brasileiros e da diretoria da Sociedade Brasileira de Física (SBF), foi aberta, como uma ampliação da cooperação do Cern com Portugal, a possibilidade de participação de professores brasileiros e africanos neste programa. Para a etapa 2015, foram selecionados 22 professores brasileiros, que compuseram o grupo de 50 docentes de países de língua portuguesa (Brasil, Portugal, Moçambique, São Tomé, Cabo Verde, Angola, Timor Leste e Guiné Bissau).

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Diogo em frente ao detector CMS

Vinícius explica que o Cern permitiu acesso a locais muito restritos à visitação. Um dos momentos mais fascinantes foi a visita à caverna do CMS (Compact Muon Solenoid), um dos detectores que identificou o Boson de Higgs. O CMS é um dos detectores do maior acelerador de partículas construído pelo homem, o Large Hadron Colider (LHC) – um túnel de 27 quilômetros de circunferência onde prótons são acelerados praticamente à velocidade da luz e colidem para dar origem a formas de matéria jamais vistas. “O curso de 60 horas nos possibilitou entender os mecanismos e tecnologias empregadas nas experiências e ampliar nossos conhecimentos em Física de Partículas, Aceleradores para a Física Médica, Fábrica de Antimatéria e Assimetria Matéria-Antimatéria”, explica. O grupo também visitou outros laboratórios e experimentos do Cern, como as salas de controle dos experimentos Atlas (A Toroidal LHC ApparatuS) e CMS (Compact Muon Solenoid), Fábrica de Antimatéria e nos aceleradores Synchrocyclotron (SC), Proton Synchrotron (PS) e Low Energy Ion Ring (LEIR).

Os professores também tiveram um momento de “colocar a mão na massa” em atividade prática para ser aplicada em sala de aula, a construção de uma Câmara de Nuvens – uma forma de detectar a radiação vinda do espaço. Além disso, segundo Vinícius, foi uma oportunidade de troca de experiência com professores de outros países e os profissionais do CERN, entre eles um brasileiro, integrante da equipe que pela primeira vez na história conseguiu aprisionar uma porção de antimatéria.

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Vinícius e Diogo gravando imagens e entrevistas para o documentário

Segundo o professor Diogo, por ser um centro de pesquisas experimentais voltado à física de partículas de altas energias, grande parte das atividades da Escola foram relacionadas a este assunto. Além disso, outros conhecimentos também foram abordados, como a cosmologia, a física médica, a antimatéria, a energia escura, as técnicas de computação e processamento de dados. “Participar da escola de física no Cern, sem dúvida, foi uma das experiências mais fantásticas que já pude vivenciar. Entrar em contato com tantas pessoas voltadas a um objetivo comum, aprender sobre o funcionamento de aparatos tecnológicos extremamente sofisticados, descer à caverna onde o LHC está instalado e ver de perto um dos maiores experimentos já construído por mãos humanas são experiências que jamais sairão da minha memória”, destaca.

Para Diogo, o desafio, agora, é levar essa experiência para a sala de aula do ensino médio, fazendo com que os alunos aprendam os conceitos da física moderna e que o conhecimento é resultado de um trabalho realizado de forma contínua e colaborativa. Mais importante, porém, é aguçar a curiosidade dos estudantes pela física e pelas belezas que a ciência pode revelar.

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