Seminário aproxima academia, iniciativa privada e poder público para discutir turismo como setor estratégico

5. maio 2016 | Escrito por | Categoria: Câmpus Florianópolis-Continente, Matérias

selo_portal_seminarioO 2º Seminário Brasil e Espanha de Inovação Tecnológica em Turismo, realizado dias 3 e 4 no auditório da Reitoria do IFSC, foi uma oportunidade de unir instituições de ensino e de pesquisa, a iniciativa privada e o poder público em torno de pautas de desenvolvimento do turismo a partir da eficiência da gestão e uso de novas tecnologias. “O principal destaque do evento foi a profundidade dos conhecimentos discutidos e, mais que isso, as reflexões que o evento produziu sobre como inter-relacionar pesquisa e conhecimento científico, transição para produtos de mercado, implantação e execução no mercado real do turismo”, destacou o professor do Câmpus Florianópolis – Continente do IFSC, Tiago Savi Mondo, co-organizador do evento.

O 2º Seminário é uma realização conjunta do IFSC, Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Também conta com apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae – SC), Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e Sociedad Estatal para la Gestión de la Innovación y las Tecnologías Turísticas S.A. (Segittur), da Espanha.

seminario_mesa3Em todas as discussões, o setor turístico foi definido como estratégico para o desenvolvimento econômico. “O turismo é setor essencial na pauta de discussão econômica, pois representa grande impacto na geração de empregos, Produto Interno Bruto (PIB) e balança comercial”, destacou o diretor de Gestão Estratégica do Ministério do Turismo (MTur), Jun Yamamoto. Especialmente em Santa Catarina, a Federação das Indústrias (Fiesc) constatou que o turismo representa a “mola propulsora” para vários setores da indústria e de serviços. Estudos identificaram que um quinto da infraestrutura turística do Estado está em Florianópolis, sendo que as empresas mais representativas do setor são as microempresas de fornecimento de alimentação, que empregam, em média, sete funcionários.

O assessor da Fiesc, Juliano Anderson Pacheco, informou que a entidade incluiu o turismo no seu planejamento de Rotas Estratégicas Setoriais 2022 e busca parceiros na iniciativa privada, no setor público e nas instituições de ensino para desenvolver projetos conjuntos, como qualificação profissional. Afirmou, ainda, que parcerias internacionais, como a Segittur, da Espanha, são importantes para a troca de conhecimento e o benchmarking internacional.

seminario_plateiaDados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) informam que 61% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional vem do setor de serviços, responsável por cerca de metade das vagas de emprego no Brasil. O gerente nacional de Atendimento Setorial em Serviços do Sebrae, André Spínola, destaca que o turismo impulsiona a indústria de bens e equipamentos, além de outros serviços. Construtoras, empresas de comunicação, arquitetura e design, pesquisa e desenvolvimento, entre outros, se beneficiam com o turismo, uma indústria que tem grande potencial no Brasil. Para ele, o país precisa explorar melhor seus potenciais, como patrimônio cultural, parques naturais, 8,5 mil quilômetros de litoral e o turismo rural. “Precisamos ter um atendimento de primeira linha, que seja eficiente”, afirma, lembrando que “os nossos desafios são muitos, como alta carga tributária e falta de profissionais qualificados”.

Troca de experiências

seminario_mesa2Segundo o Fórum Econômico de Davos, a Espanha é o país mais competitivo no setor turístico, tendo a França em segundo lugar e os Estados Unidos em terceiro. O diretor de Tecnologia e Desenvolvimento de Negócio da Sociedad Estatal para la Gestión de la Innovación y las Tecnologías Turísticas S.A. (Segittur), Enrique Lancis Sanjoaquin, conta que, em 2013, a Espanha estava em 8º lugar neste ranking. Segundo ele, a evolução deveu-se, principalmente, a grandes investimentos em inovação e tecnologia, tanto no desenvolvimento de novos produtos tecnológicos, quanto sistemas de gestão mais eficientes. “Os turistas querem tecnologia, estar conectados e compartilhando fotos com amigos e familiares. Essas publicações são mais importantes que artigos de revistas”, destaca Sanjoaquin. Porém, ele alerta que “a tecnologia é um meio. É preciso ter estratégia para usá-la”.

O diretor da Segittur apresentou, ainda, casos de sucesso espanhóis, como o desenvolvimento de aplicativos móveis destinados a turistas e o Empreendetur, linha de fomento e apoio a criação de novas empresas (startups), apoio a empreendimentos já estabelecidos e à internacionalização de negócios a partir da interação entre iniciativa privada e poder público. Em quatro anos, mais de 300 empresas foram beneficiadas, com cerca de 60 milhões de euros em investimentos. São exemplos que, se aproveitados pelo Brasil, poderão ajudar o país a subir no ranking de países mais competitivos em turismo, no qual ocupa a 28ª posição.

Pesquisa aplicada ao turismo

seminario_mesa1Além de iniciativas como as da Fiesc ou Sebrae, foram apresentadas ações de instituições que desenvolvem pesquisa aplicada ao turismo. A novidade nesta edição do Seminário Brasil e Espanha foi a participação de pesquisadores de diversas instituições brasileiras. Foram 13 trabalhos inscritos e 12 selecionados (um foi desclassificado por fugir ao tema). Os oito mais bem avaliados foram apresentados durante o Seminário, com participação nas discussões.

O organizador do evento, professor Alexandre Biz, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), destacou que a pesquisa acadêmica tem importante papel no desenvolvimento do turismo, e o Seminário serviu para unir o que está sendo realizado na academia com as necessidades da iniciativa privada e do poder público. Ele lembra que Santa Catarina é um polo de inovação tecnológica e de turismo, porém, os dois setores ainda estão “de costas” um para o outro.

Para o professor do IFSC, Tiago Savi Mondo, “conseguimos aprofundar as discussões teóricas, incluindo tópicos como gestão do conhecimento e internet das coisas e principalmente, conseguimos apresentar ao público como integrar pesquisa científica com soluções de mercado para a área do turismo e da tecnologia, de cidades e destinos inteligentes”. Para Mondo, um exemplo importante foi a quantidade de empresas participantes, como a Furukawa, Flatschart, Minube, entre outras.

Olimpíadas como oportunidade de mudar a imagem do Brasil

No primeiro dia do 2º Seminário Brasil e Espanha de Inovação Tecnológica em Turismo, o diretor de Gestão Estratégica do Ministério do Turismo (MTur), Jun Yamamoto, apresentou as ações prioritárias para as Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016. Sobre o legado do evento, afirmou que, além da infraestrutura esportiva e de mobilidade, poderá ser uma oportunidade de mudar a imagem do Brasil no exterior. “A imagem que as pessoas têm do Brasil hoje, infelizmente, foi construída 70 anos atrás. Os Jogos Olímpicos são uma oportunidade de mudar isso. Que a gente consiga mostrar para o mundo o que temos de melhor”, salienta.

Ações concretas, como isenção de visto para quatro países, sinalização turística, ativação da Casa Brasil e realização de estudos e pesquisas ainda na Copa do Mundo surgiram a partir da eleição do Brasil como sede das Olimpíadas. O tour da tocha olímpica, por exemplo, que iniciou dia 3 de maio, dará visibilidade aos municípios dos 25 estados por onde passará.

Afirmou que a pasta está passando por um momento complicado, de corte em investimentos e reestruturação, e por isso vê a necessidade de firmar parcerias tanto com a iniciativa privada quanto a academia. “Em um período de baixo orçamento em obras e infraestrutura, podemos investir em conhecimento, importante para termos uma política em turismo mais consolidada”, afirma.

O Seminário foi transmitido ao vivo pela IFSCTV. Para assistir, na íntegra, todas as apresentações e debates, acesse o site do evento. As apresentações estão divididas por blocos, conforme a programação.

 

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