IFSC retoma processo de curricularização da extensão

1. julho 2016 | Escrito por | Categoria: Cotidiano, Gestão, Matérias

Foi aprovada, na reunião desta quinta-feira (30) do Colegiado de Ensino, Pesquisa e Extensão do IFSC (Cepe), a atualização da resolução que estabelece as diretrizes para a inclusão de atividades de extensão no currículo dos cursos de graduação do Instituto. Conforme estabelece o Plano Nacional de Educação 2014-2024, os projetos pedagógicos de todos os cursos superiores (PPC) do País deverão assegurar em suas matrizes curriculares, no mínimo, 10% da carga horária total em extensão nas áreas de grande pertinência social. A Diretoria de Extensão do IFSC (Direx) lançou um site para organizar o processo que contará com as seguintes etapas: sensibilização, revisão dos PPCs e oferta dos cursos.

De acordo com as diretrizes do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), a extensão é entendida como um processo educativo, cultural, científico e tecnológico que promove a interação dialógica e transformadora entre a instituição e a sociedade de forma indissociável ao ensino e à pesquisa com a participação dos estudantes. Assim, as atividades de extensão devem promover a transformação social no entorno dos câmpus do IFSC envolvendo servidores e discentes por meio de programas, projetos, cursos, eventos ou produtos. Para fins de curricularização, o documento aprovado pelo CEPE orienta que a extensão pode ser distribuída no PPC como parte de componentes curriculares não específicos de extensão, como unidades curriculares específicas de extensão ou como uma composição dessas duas formas.

Como vai funcionar

A sensibilização dos servidores para o processo de curricularização da extensão é a primeira etapa que está sendo feita pela Direx. Além da criação do site específico do processo, está previsto um seminário sobre curricularização da extensão no IFSC – com as coordenadorias de cursos de graduação – em agosto deste ano, além de formações regionalizadas com servidores dos Núcleos Docentes Estruturantes (NDE) dos câmpus e da Direx no próximo semestre. Um curso de qualificação para a formação de extensionistas também deve ser ofertado em outubro em parceria com o Centro de Referência em Formação e EaD do Instituto (Cerfead).

A segunda etapa será a revisão dos projetos pedagógicos dos cursos para que o processo se encerre com a oferta do curso – já com a extensão dentro do currículo. Para os cursos que aderirem ao cronograma proposto pela Direx, a previsão é que as primeiras turmas a terem atividades de extensão curricular sejam as ingressantes no processo seletivo 2018.2.

O diretor de extensão do IFSC, André Dala Possa, observa que, com base na resolução de 2015 do IFSC que iniciou o processo, alguns câmpus se anteciparam e já fizeram a previsão de atividades de extensão, como é o caso de Gaspar. “Contudo, frente à implantação do SIGAA-Módulo Graduação, serão necessários ajustes nesses PPCs”, informa André.

Clique aqui para acessar o cronograma do processo.

Processo complexo

Atualmente, o IFSC conta com 45 cursos de graduação aprovados que atendem mais de 3,5 mil estudantes – considerando os superiores de tecnologia, as licenciaturas e os bacharelados. De acordo com o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), em 2019, o número de cursos deve passar para 59, com cerca de 10 mil vagas.

O diretor de extensão explica que esse é um processo que deve ser feito por todas as instituições do País que ofertam ensino superior e que o IFSC é uma das primeiras instituições públicas que já iniciou o processo de curricularização de atividades de extensão. “Além da complexidade de revisar muitos currículos, existem ainda limitantes relacionados à dificuldade de compreensão do papel da extensão na formação do aluno e, principalmente, como colocá-la em prática. Por isso, a Direx repensou o cronograma, destinando uma etapa específica à formação de extensionistas”, ressalta.

O fato de os servidores estarem conscientes sobre a importância da extensão e capacitados para desenvolver projetos desse tipo é fundamental para a consolidação do processo. “O Ensino e a Pesquisa já têm princípios consolidados nos currículos, ao passo que a maioria dos cursos traz a unidade curricular de metodologia da pesquisa científica, por exemplo. Precisamos encontrar um caminho para que nossos estudantes sejam iniciados na extensão, fazendo-os perceber que todo conhecimento trabalhado ao longo do curso só tem sentido quando aplicado”, enfatiza André.

Sobre o site

O site do processo – http://curricularizacaodaextensao.ifsc.edu.br – traz as normas e os documentos para orientar o trabalho, além do cronograma proposto. Também há um espaço para divulgar experiências de atividades de extensão do IFSC e de outras instituição. Uma área de Dúvidas Frequentes foi disponibilizada para tornar o processo mais claro e os visitantes também podem interagir com a Direx, outros câmpus e outras instituições.

É por este canal ainda que serão disponibilizados as propostas de PPCs para que as coordenações de curso e coordenadorias pedagógicas possam analisar o documento e propor sugestões em uma área dedicada às atividades de extensão nos projetos pedagógicos dos cursos superiores de tecnologia, licenciaturas e bacharelados. O site ainda está em construção e será atualizado a cada etapa do processo.

André explica que o canal serve não apenas para consulta e ambiente de trabalho dos servidores do IFSC, como para que o Instituto possa compartilhar informações sobre o processo com outras instituições. “Pelo site, comunidade externa e alunos também poderão acompanhar o que está sendo feito pelo IFSC, além de podermos trocar experiência com outras instituições que também estejam nesta empreitada”, conta.

Perspectivas

A pró-reitora de Extensão e Relações Externas do IFSC, Maria Cláudia de Almeida Castro, explica que curricularizar a extensão neste momento não é um trabalho a ser feito apenas para que se cumpra a legislação. “É por meio da extensão que conseguimos otimizar o atendimento da missão institucional da Rede Federal”, ressalta.

A presença de atividade de extensão no currículo dos cursos de graduação já consta, inclusive, como um critério para avaliação de cursos do Inep. “O PNE reforça uma política educacional já consolidada em países desenvolvidos em que a extensão comprova trazer benefícios para todos os envolvidos: alunos, professores e comunidade”, enfatiza Maria Cláudia.

Segundo a pró-reitora, ter atividades de extensão incorporadas ao currículo é um investimento para que o País tenha um ensino profissional mais significativo, com responsabilidade social e caráter tecnológico, alinhado às demandas do mercado de trabalho. “A aposta do Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileira é que, com a curricularização da extensão, se consiga aproximar a Rede Federal das demandas reais, criando possibilidades de otimizar o perfil do nosso egresso e manter a qualificação contínua dos educadores”, conclui.

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