Curso do Cerfead faz experiência com docência compartilhada

22. julho 2016 | Escrito por | Categoria: Cotidiano, Matérias, Reitoria

Uma experiência de colaboração e trabalho conjunto de professores tem trazido benefícios para o curso de especialização em Formação Pedagógica para Docência na Educação Profissional e Tecnológica, do Centro de Referência em Formação e Educação a Distância (Cerfead). A chamada “docência compartilhada” leva a que dois a três professores sejam responsáveis por uma unidade curricular. “Compartilhamos o que pesquisamos e um revisa a produção do outro. É legal porque tem vários olhares. E um mete o bedelho no material do outro, sim!”, conta o coordenador do curso, Carlos Alberto da Silva Mello.

Para produzir o conteúdo da unidade – incluindo o livro didático (o curso é a distância) e plano de aula -, os professores dividem com os colegas os resultados de suas pesquisas em ferramentas de compartilhamento online, como Google Drive. As videoaulas também são ministradas em conjunto. “Quando um fala, o outro pode intervir e colaborar”, explica Carlos. As definições sobre quais conteúdos cada um vai pesquisar e ministrar são definidas em reuniões preparatórias.

A ideia de adotar a docência compartilhada no curso veio de uma experiência que o coordenador teve num estágio na França, quando era professor da área de turismo e hospitalidade do Câmpus Florianópolis-Continente. Na Escola de Hotelaria de La Rochelle, Carlos Mello observou que professores das áreas técnicas da hotelaria e professores de línguas ministravam juntos as atividades práticas – observando, por exemplo, como um estudante atendia um hóspede em língua inglesa. Ao assumir a coordenação do curso do Cerfead, o professor propôs o modelo hoje adotado.

Para o professor Douglas Paulesky Juliani, a experiência de atuar com a docência compartilhada tem sido transformadora. “No modelo de ensino presencial que estamos acostumados normalmente todo o processo pedagógico é muito solitário. Na docência compartilhada, trabalhamos com parceiros em todos os processos pedagógicos até a interação com os alunos. Esse modelo nos faz apredender a desaprender. O trabalho em equipe exige resgatar uma posição de humildade. O docente se coloca no lugar do outro e aprende com ele, desapegando muitas vezes de uma certa posição de hegemonia notada em alguns espaços acadêmicos. Assim, ganhamos muito!”

Segundo Douglas, a docência compartilhada exige dos professores competências de relacionamento e abertura para o diálogo. “Construir nesse coletivo, muitas vezes requer construir em situações de divergência, compreendendo as recompensas desse cenário”, diz. A praticidade e a firmeza e a firmeza em decisões são importantes para evitar morosidade e prejuízo à eficiência do processo educacional, na visão do professor. Ele lembra que a formalização de normas que favoreçam esse modelo é importante sua difusão em nível institucional. “Esse tipo de atuação é um paradigma educacional que exige maior dedicação e consequentemente mair carga-horária em todas as atividades embricadas na rotina docente. Portanto, muito zelo na regulamentação é crucial para que esses contributos não acabem se tornando uma ação isolada e extinta por falta de condições e incentivos institucionais.”

Os alunos do curso são servidores do IFSC e do Instituto Federal Fluminense (IFF). Para um deles, Cleomar Pereira Silva, professor do Câmpus São Carlos, a docência compartilhada tem contribuído para seu aprendizado. “Eu achei bastante interessante porque os professores têm a oportunidade de complementar os conhecimentos um do outro. Um professor está discutindo a matéria e em seguida o outro professor complementa com o que o outro professor estava se esquecendo de falar.”

Observação e intervenção pedagógicas

POP e PIP são duas siglas importantes para os estudantes do curso, pois se referem a projetos de observação (POP) e intervenção (PIP) pedagógicas que eles precisam fazer. A primeira turma, que começou as aulas no início deste ano, finalizou a POP em julho. “Tanto professores quanto técnicos administrativos precisam fazer isso. Eles podem observar ações pedagógicas em suas áreas de atuação ou em outras”, explica Carlos Mello. Com base no que observaram, os alunos devem fazer a proposta de intervenção, que pode servir como projeto de trabalho de conclusão de curso (TCC).

A experiência da POP foi “enriquecedora”, segundo Cleomar Silva. “Tive a oportunidade de conhecer as práticas de sala de aula dos meus colegas professores que foram observados”, conta. Ele crê que isso vai ajudá-lo a definir o tema do TCC.

Curso é resultado de projeto conjunto

O curso de Formação Pedagógica para Docência na Educação Profissional e Tecnológica foi criado por meio de um projeto conjunto entre o IFSC, o IFF e a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC). O seu objetivo, conforme seu projeto pedagógico (PPC), habilitar profissionais “nas esferas da docência, da intervenção técnico-pedagógica, no desenvolvimento de projetos de extensão tecnológica e pesquisa aplicada e na gestão institucional, com vistas à compreensão, ao planejamento e à implementação de novos processos” na educação profissional e tecnológica.

São cinco turmas, cuja aplicação de provas ocorre nos câmpus Florianópolis-Continente, Itajaí, Tubarão e Xanxerê, além do Câmpus Campos dos Goytacazes do IFF. No total, são 140 alunos – 25 em cada câmpus do IFSC e 40 no câmpus do IFF.

Os encontros presenciais também ocorriam nesses locais, mas as videoconferências (coletivas, com todos os estudantes em uma sala interagindo a distância com os professores) tiveram que ser substituídas por webconferências (individuais, com cada aluno em um computador) por falta de recursos que deveriam ter sido enviados pela Setec, de acordo com o coordenador, e consequente impossibilidade de pagar bolsas para tutores que deveriam atuar nos câmpus. “A webconferência pode ser feita de casa. Isso evitou deslocamento dos alunos até o câmpus, mas alguns alunos já no informaram que preferiam quando havia o encontro maior. Para aplicação das provas presenciais, os câmpus indicaram servidores que poderiam ficar como responsáveis”, informa Carlos.

A previsão de formatura da primeira turma é maio de 2017.

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