Evento em Jaraguá do Sul marca dia nacional da visibilidade lésbica

31. agosto 2016 | Escrito por | Categoria: Câmpus Jaraguá do Sul-Centro, Eventos, Matérias

jar_lesbicas_dia_visibilidadeIgualdade, respeito e liberdade de manifestação. O que são direitos concretos para algumas pessoas ainda não é realidade para outras, como para as mulheres lésbicas. E para contribuir com a luta por esses direitos foi realizado nesta segunda-feira (29) o 1º Sarau da Visibilidade Lésbica no Câmpus Jaraguá do Sul. A atividade marcou o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, que é comemorado em 29 de agosto desde o ano de 1996.

jar_saraudialesbicas_1As apresentações de poesias, músicas e outras manifestações artísticas ocorreram no espaço da cantina do câmpus durante os horários de intervalo das aulas da manhã, da tarde e da noite. Servidores e estudantes de diversos cursos participaram e mostraram seu apoio às mulheres lésbicas.

Segundo o organizador do evento e professor do IFSC, Lino Gabriel dos Santos, a atividade do Dia da Visibilidade Lésbica foi pensada para divulgar as pautas do movimento lésbico. “É necessário dar visibilidade às lésbicas também, já que dentro do movimento LGBTTTI a visibilidade é geralmente dada aos homens gays”, explica.

jar_saraudialesbicas_2Além disso, o evento também buscou contribuir para que o tema não seja tratado como um tabu, principalmente no ambiente escolar. “As mulheres lésbicas são alvo de preconceito, exclusão e diversas violências. E essas mulheres não são lésbicas porque querem chamar a atenção, porque é ‘modinha’ ou para a satisfação de homens. Elas são lésbicas porque amam umas às outras”, destaca Santos.

Assista, no canal do câmpus no Youtube, a vídeos de parte das apresentações realizadas na segunda-feira.

Confira, a seguir, algumas informações compiladas pelos organizadores do evento.

O QUE É A LESBIANIDADE?

A lesbianidade é uma identidade sexual e política. Essa identidade, em sua criação, diz respeito às mulheres que se relacionam sexual ou afetivamente com outras mulheres, sejam essas cisgêneras ou trans/travestis. Contudo, essa identidade se tornou mais ampla e, como identidade política, permite que outras pessoas possam aderir a essa nomenclatura como, por exemplo, alguns homens transsexuais que não se entendem como “heterossexuais” ainda que namorem com mulheres e, por esse motivo, optam por identificarem-se como “lésbicas”.

E FALAR “LÉSBICA” CORRETO?

jar_saraudialesbicas_3No caso das identidades dissidentes é comum que algumas palavras sejam evitadas, pois são confundidas com ‘xingamentos’. Afora desse percepção, é comum que as mulheres se identifiquem com as mesmas categorias que são tidas como pejorativas. Elas usam palavras como “lésbica” e “sapatão” com orgulho e não vergonha. Mas é preciso ter cuidado: não é comum que outras pessoas se refiram a essas mulheres como “sapatão”, então, o melhor é usar o termo consolidado – o melhor termo nesse caso é “lésbica”.

É importante salientar que, também pelo mesmo motivo, não precisamos usar palavras com eufemismos como “meninas que ficam com meninas”. Também não é usada a palavras “gay”, pois essa categoria diz respeito a homens gays, enquanto isso mulheres são “lésbicas”, ou seja, são diferentes uma da outra.

COMO SURGIU ESSA DATA?

O Dia da Visibilidade Lésbica surgiu em 1996, no 1º Seminário Nacional de Lésbicas (SENALE) organizado no Rio de Janeiro pelo Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (COLERJ). A partir daí, a data foi escolhida para dar visibilidade a essa identidade. Isso porque o conceito de “homofobia” direciona-se em muito para o preconceito contra homens gays, que tem dificuldades e necessidades diferentes das mulheres lésbicas. Sendo assim, a lesbofobia significa que os preconceitos e necessidades de mulheres lésbicas são específicos. Dessa maneira, o dia 29 de agosto foi criado para dar voz e vez a essas mulheres que não aceitam mais serem violentadas e excluídas socialmente.

No entanto existem recortes ainda mais específicos. Lésbicas femininas ainda sofrem, mas esse sofrimento aumenta à medida que se relaciona com questões de classe e raça, entre outras. Lésbicas de camadas populares, por exemplo, têm maiores dificuldades de acesso à informação e aos cuidados que dependem do Estado. Essa situação se agrava quando se trata de mulheres negras. Lésbicas masculinizadas também são alvo de ataque, pois além de se relacionarem com mulheres desafiam os padrões de gênero impostos. Isso também acontece com mulheres transexuais e lésbicas.

Casos de violência são comuns. Frases como “quer ser homem, que apanhe como homem” e estupros corretivos (a fim de “corrigir” a sexualidade dessas mulheres) são ações que aconteceram e acontecem cotidianamente. Mas não são somente as mulheres lésbicas que sofrem lesbofobia. Mulheres heterossexuais que tem expressões consideradas masculinas também passam cotidianamente por situações em que sua feminilidade é questionada. Um caso que visibiliza essa situação são os constantes ataques e dúvidas referentes à sexualidade da presidenta Dilma Rousseff, uma mulher que não expressa a feminilidade esperada e está em posição de poder, sendo muitas vezes “xingada” de “sapatão”, como se, ser lésbica fosse algo ruim.

No entanto há vitória! A cada dia mulheres lésbicas se destacam. Sejam como cantoras, atrizes, artistas plástica, pesquisadoras, atletas, assumindo cargos de poder, etc. É por isso que existe o dia da visibilidade lesbiana: para deixar claro que, todas podem chegar lá!

Por Comunicação Câmpus Jaraguá do Sul

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