Sepei 2016: inovação pode estar em qualquer lugar

16. setembro 2016 | Escrito por | Categoria: Câmpus Criciúma, Eventos, Matérias

img_6964Uma empresa com mais de 100 anos e que ainda é inovadora, agricultores que usam a tradição como estratégia de negócio, startups que surgiram de demandas sociais e educadores que pensam a escola a partir das novas tecnologias. O que esses temas têm em comum? São iniciativas que, em escala mundial ou local, oferecem soluções inovadoras a partir de pesquisa e boas ideias. Todos foram apresentados durante o Sepei 2016, no Câmpus Criciúma do IFSC, de 13 a 15 de setembro.

O especialista em Clound da IBM no Brasil, Hevertom Fischer, mostrou um pouco da história da empresa e as tendências que já estão virando realidade. A International Business Machine (IBM) surgiu como fabricante de máquinas automatizadas e, atualmente, menos de 10% de seu faturamento é de vendas de hardware. Os negócios concentram-se em serviços, software e soluções cognitivas. “Estamos entrando na era do cognitivo. Estamos ensinando as máquinas a fazer inferências e saber pensar”, destaca Fischer.

O supercomputador Watson ganhou uma apresentação especial. Por meio de uma plataforma online, Fisher acessou as funcionalidades remotas do Watson, que permitem diversas ações, como transformar texto em som, som em texto, tradução, reconhecimento de imagens, e até receitas culinárias a partir dos ingredientes preferidos do usuário.

Segundo Fisher, as soluções cognitivas já têm as mais diversas aplicações. Ele citou exemplo de bancos, em que o Watson substitui os atendentes telefônicos e interage com os usuários. O processamento de dados meteorológicos consegue “prever” tempestades com mais precisão, ajudando companhias aéreas a planejarem seus voos. Outra grande tendência é a “internet das coisas”, presente em automóveis, eletrodomésticos, relógios, entre outros. Clique aqui e veja a apresentação completa pela IFSCTV.

img_7016Outras iniciativas inovadoras também foram apresentadas, porém, em escala local. O painel “Inovação no Agronegócio” apresentou a solução encontrada por agricultores da região de Urussanga, sul de Santa Catarina, para agregar valor a um produto regional: o vinho da uva Goethe. com o apoio da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa (Epagri) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), obtiveram o Certificado de Indicação de Procedência, o que significa que o vinho é um produto único, podendo obter essa denominação apenas nos municípios integrantes dos vales da uva Goethe.

O pesquisador da Epagri, Márcio Sônego, explica que indicações de procedência existem na Europa desde 1870, a exemplo do vinho espumante produzido na região de Champanhe. “No Brasil, estamos começando com essa certificação”, destaca.

Patrícia Mazon, integrante da associação de produtores da uva Goethe, explica que a fruticultura é uma forma de agregar valor às pequenas propriedades agrícolas catarinenses e que a certificação já trouxe resultados, como aumento de 20% na venda de vinhos e 30% de espumantes, além de incremento em 15% no turismo da região. Porém, ainda há muitos desafios a serem superados: “o setor de vinhos no Brasil sofre com a falta de estímulos do poder público, altos impostos, burocracia e a competição do produto estrangeiro”.

A escola também precisa se reinventar

img_69551Como pensar um novo modelo de educação frente às novas tecnologias de comunicação? A professora Brasilina Passarelli, coordenadora da Escola do Futuro, da Universidade de São Paulo (USP), convidou os participantes do Sepei 2016 a pensarem a respeito. Há 25 anos, ela pesquisa as novas configurações das mídias e a cultura digital.

Passarelli faz uma provocação: “precisamos preparar o aluno para o futuro dele, não para o nosso passado”. A frase significa que a educação deve abandonar antigos modelos e incorporar as novas tecnologias em suas práticas. Uma das revoluções, segundo a professora, se deu quando a interface gráfica transformou o mundo da linguagem no mundo da imagem. “Tudo são ícones, intuitivo, não há manual. O professor deve estar atento a isso”, explica.

A professora apresentou o conceito de “onlife”, onde “não existe mais ninguém desconectado. Essa nova maneira de se comunicar reconfigura as relações sociais, os modelos de negócio e a forma de ensinar”. Essas mudanças apareceram em pesquisas conduzidas pela Escola do Futuro. Uma delas entrevistou 18 mil crianças e jovens de todo Brasil, constatando que 71% têm acesso à internet no celular e 49% acreditam que a internet mudou o hábito de busca de informações. Majoritariamente, os jovens e crianças buscam a internet para entretenimento e comunicação.

A pesquisa demonstrou ainda que os jovens brasileiros produzem pouco conteúdo para a web em relação a outros países. No entanto, 52% deles acreditam que a internet aumenta a participação dos jovens em mobilizações sociais e 51% entendem que é possível ganhar dinheiro trabalhando com ferramentas da internet. Também foi constatado que o acesso à internet por jovens da cidade ou do campo está se igualando.

Oportunidades para quem tem disposição e boas ideias

img_7003Ao falar de inovação, os palestrantes apontaram caminhos para os estudantes. Hevertom Fischer, da IBM, falou sobre o IBM Global Interpreneur, projeto que coloca estudantes em contato com grandes empresas para resolver problemas específicos e o IBMSmartCamp, competição que seleciona startups para experiências em empresas do Vale do Silício.

Duas mesas-redondas reuniram jovens empreendedores. Na debate sobre a geração de valor para statups, André Muller, ex-aluno do IFSC integrante da Pensys, que atua na área de geração de energia, e Mateus Bodanese, da cervejaria MyTapp, relataram suas experiências e falaram sobre a necessidade ou não de formação acadêmica para desenvolvimento de boas ideias. A mediação foi do professor Adrwin Hamad.

img_7027A última mesa-redonda sobre inovação foi realizada na manhã do dia 15. Túlio Magnus, da startup Reverse, e Amanda Busatto, da Inturma, debateram a inovação em negócios sociais. Amanda conta que enquanto cursava a faculdade de Jornalismo na UFSC, ficava frustrada por fazer projetos que acabavam indo para a gaveta Assim, criou a Inturma, uma plataforma que aproxima jovens estudantes e professores de empresas, órgãos públicos e organizações do terceiro setor para o desenvolvimento de projetos conjuntos. “Alunos e professores podem aproveitar o tempo das disciplinas resolver demandas do mercado”, explica.

Já a Reverse surgiu do desejo de seus sócios de tornar o mundo mais sustentável, promovendo a coleta adequada de resíduos e reciclagem. Por meio de um aplicativo, a empresa fornece um mapa de locais de coleta de reciclagem e descarte. Também desenvolve projetos para cooperativas de catadores, empresas e prefeituras.

Alunos fizeram perguntas sobre a operação dessas empresas e o retorno monetário. Segundo Amanda, atuar para resolver problemas sociais não é fazer caridade: “o assistencialismo passou há muito tempo. Atualmente a atuação social é tratada com mais profissionalismo”.

Durante o debate, discutiu-se o processo de curricularização da extensão pelo qual o IFSC está passando e que poderia se beneficiar de iniciativas como a Inturma. Túlio Magnus sugeriu aos alunos que ainda durante o curso procurem se envolver em projetos inovadores, em voluntariado e na busca de solução de problemas reais. “Os alunos não devem ficar só com as aulas, mas aproveitar oportunidades, com atividades extracurriculares, voluntariados, e a participação em rede”, aconselhou. Segundo Amanda, para muitas multinacionais, o voluntariado é mais bem avaliado nos currículos que uma segunda língua.

A mediadora do debate, a professora de Administração do Câmpus Tubarão, Gabriela Tiscoski, lembrou das oportunidades oferecidas pelas Startups Weekends, eventos de troca de experiência sobre empreendedorismo.

Por Carla Algeri | Jornalista IFSC

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