Alunos do Câmpus Gaspar vivenciam experiência de “assistir” filme com audiodescrição

2. dezembro 2016 | Escrito por | Categoria: Câmpus Gaspar, Matérias

Alunos dos cursos técnicos integrados do Câmpus Gaspar tiveram uma experiência diferente ao assistir ao filme “Era uma vez” no último dia 21. Eles foram vendados e, ao invés de assistir ao filme, eles ouviram as cenas a partir de uma audiodescrição como é feita para cegos.

A atividade foi promovida pela Sociedade Cultural Amigos do Centro Braille de Blumenau (ACBB) e pelo Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas do Câmpus Gaspar (Napne). Durante a atividade, o professor do Câmpus Marcelo Elias falou também do projeto que desenvolve para o ensino de Biologia para alunos cegos em que são produzidos modelos de parasitas em biscuit.

“A sessão faz parte do projeto “Pipoca acessível” da ACBB e a nossa proposta foi que os alunos pudessem vivenciar essa experiência e para que se colocassem em uma situação de empatia com os cegos no sentido de se colocarem no lugar do outro. Hoje não temos alunos cegos no Câmpus, mas vejo que se entrasse um, os alunos o receberiam de outra forma depois dessa atividade”, avalia a professora Hagar de Oliveira.

Na audiodescrição, as características dos personagens e dos lugares onde as cenas se passam é todo narrado para o ouvinte. “Eles descrevem o tipo da roupa, a cor do cabelo, se o personagem é alto ou baixo e dão detalhes da idade. Eu gostei bastante da atividade porque a gente tem que imaginar os personagens. Eu não conhecia pessoas cegas nem tinha ideia de como elas assistiam aos filmes”, explica a aluna Ana Volpi, do técnico integrado em Informática.

Valéria Vieiro e Mikael Schappo, do quarto módulo do técnico integrado em Química, tiveram dificuldades em permanecer vendados durante toda a exibição. “Nós nos sentimos muito agoniados. Somos muito visual. Mas vejo que aguçou a nossa curiosidade e exigiu que ficássemos mais concentrados.”

João Marcos Machado também do quarto módulo do integrado em Química foi o único que ficou até o final com a venda. Ele escreve contos e poemas e um de seus trabalhos foi adaptado para um audiolivro. “Eu já tinha uma noção de como funciona uma audiodescrição. Sei que uma das dificuldades é falar sobre cor para pessoas que já nasceram cegas. Para nós, foi um impacto muito grande e no começo a audiodescrição nos deixou um pouco confusos. Mas foi bom porque saímos da zona de conforto para conhecer algo novo e entendermos melhor as necessidades de um cego.”

Por Beatrice Gonçalves / Jornalista IFSC

 

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