Professor de instituto português ministra palestra no Câmpus Lages 

25. maio 2018 | Escrito por | Categoria: Câmpus Lages, Eventos

A primeira palestra do Fórum de Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação (Fortei) de 2018, realizado de 14 a 19 de maio, no Câmpus Lages, foi ministrada pelo professor Carlos Ramos do Instituto Politécnico de Porto (IPP, de Portugal), que abordou o tema “Empreendedorismo e Inovação”. Carlos é brasileiro, nascido em São Paulo, mas reside em Portugal há 40 anos.

palestra_carlos_ramos_ifsc_lages-200x133Durante a palestra, Carlos tratou da importância da pesquisa e inovação para o profissional do futuro, desenvolvimento e impacto tecnológico nas profissões e citou exemplos ligados à tecnologia. “Estamos em um mundo de mudanças e a tecnologia sempre impôs isso ao longo da história, mas agora de uma maneira mais acelerada”, disse.

Em seu doutorado, Carlos trabalhou na área de inteligência artificial ligada à robótica. Na época, os congressos dos quais participou eram sobre pesquisas para que carros andassem de maneira autônoma. Mostrou casos que não apresentam maneiras de controlar o carro, e afirmou a importância da infraestrutura na autoestrada, para o veículo e o conjunto de veículos. “Como um elemento de lazer, já que não vamos mais estar preocupados com a direção, poderíamos fazer reuniões no carro. É um mundo que está em mudanças e lança desafios para as profissões existentes”, disse, acrescentando que é importante ter desafios futuristas para que as pesquisas avancem.

Carlos usou o exemplo do tradutor do Google para explicar sobre linguagem, reconhecimento de voz, tradução automática, interpretação e geração de texto. “Em cinco anos, a evolução do Google tradutor foi grande. Isso tem a ver com as técnicas de inteligência artificial”, afirmou, citando o teste de Turing – quando uma máquina é capaz de exibir o mesmo comportamento humano, sem que seja identificada. “Perante um diálogo que o ser humano não é capaz de identificar um sistema autônomo, o sistema passou no teste”, comentou. Há previsões de que, em 2024, o melhor tradutor será automático baseado em inteligência artificial e, em 2049, esses sistemas serão capazes de escrever melhores contos e novelas do que o ser humano.

Tendências do mercado de trabalho

Em sua palestra, Carlos abordou cinco tendências do mercado de trabalho atual e futuro: globalização, mobilidade, tecnologia, demografia e os novos comportamentos.

Para o professor, a globalização é evidente. Com ela, cresce a aproximação de culturas diferentes, a procura de talentos não fica limitada em uma região geográfica e cada vez tem menos importância o momento, o local e o dispositivo que se usa. “Pessoas poderão trabalhar em conjunto em momentos diferentes e locais diferentes. As ferramentas computacionais facilitam isto. Hoje reuniões acontecem via web com pessoas que estão em outros países com uso de diferentes dispositivos’, explicou.

Atualmente um conceito novo está ganhando força é o “glocal”, junção do global com o local. “É mais apropriado dizer que uma empresa é glocal, por exemplo empresas globais que adaptam seus produtos em mercados locais. Podemos estar em qualquer lugar do mundo e montar uma empresa inovadora e começar um negócio de sucesso”, disse Carlos.

O professor lembra que, para mudar o mundo, deve-se pensar que é possível trabalhar com a transformação a partir do lugar que estamos. “É uma geração nativa nas tecnologias de informação. As empresas vão ser muito menos físicas e bem mais lógicas”, acredita. A necessidade de termos respostas em tempo real foi abordada pelo professor, que falou que os negócios de sucesso são montados por essa realidade.

Intercâmbio

A oportunidade de intercâmbio que o IFSC oferece através do programa Propicie foi elogiada pelo professor, que vem de uma instituição que recebe muitos estudantes do Instituto Federal. “Em 13 edições, já recebemos 106 alunos de 15 câmpus do IFSC”, lembrou. Ele conta que muitos alunos que participaram não tinham ainda 18 anos, não haviam saído nem do país ou estado. Além disso, mostrou imagens e projetos que eles realizaram no Instituto Politécnico do Porto. “O Propicie tem sido um modelo de sucesso. Vários institutos federais do Brasil tem tentado replicar com apenas algumas diferenças”, elogiou.

Um dos projetos é o Mudei, no qual alunos do Câmpus Lages Adriano Pereira Silva Filho e Alan Lanceloth Rodrigues Silva participaram. Segundo Carlos, a ideia foi juntar estudantes de várias áreas e países, para criar novos instrumentos musicais ou adaptar já existentes dotando de duas características: novo design e incorporação de tecnologia.

No encerramento da palestra de abertura do Fortei, o diretor-geral do Câmpus Lages, Thiago Meneghel, convidou Alan e Adriano para entregar uma lembrança ao professor. “Tentei algo que remetesse a nossa região. É um agradecimento pelo trabalho que fez no Instituto Politécnico do Porto, ao acolher os nossos alunos e sempre apoiar quando foi preciso”, disse. O presente foi uma faca, e o diretor completou: “Depois eu lhe explico, mas você passa a ser uma pessoa faca na bota aqui de Lages”.

Você pode acessar a abertura completa nesse link.

Por Débora Vargas | Estagiária de Jornalismo do IFSC

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