Napnes registram grande aumento de alunos atendidos em 2014

4. fevereiro 2015 | Escrito por | Categoria: Câmpus Jaraguá do Sul-Rau, Câmpus São Miguel do Oeste, Cotidiano, Matérias

logo_inclusaoEm 2014, os Núcleos de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napnes) dos câmpus do IFSC registraram um aumento de 46,5% no número de estudantes atendidos em relação ao ano anterior. Durante o ano de 2013, foram 157 alunos atendidos; já em 2014 foram registrados 230 atendimentos.

A psicóloga Janaína Turcato Zanchin conta que todos os câmpus vêm desenvolvendo atividades a fim de integrar esses alunos e que esse é o papel de uma instituição inclusiva, que está aberta a esse público. “Além de receber esses alunos, os Napnes também propõem melhorias estruturais, preparam os servidores e providenciam material didático adaptado quando necessário. Os alunos atendidos estão cada vez mais integrados na vida acadêmica”, avalia Janaína.

O reconhecimento dos alunos com necessidades específicas é feito primeiramente por meio daqueles que se autodeclaram no ato da inscrição, situação que é verificada no momento da matrícula. Durante o processo de ambientação, também são feitas conversas com os alunos a fim de identificar essas necessidades. Além disso, os Napnes solicitam aos docentes, por estarem mais tempo com os alunos, informarem caso suspeitem que algum estudante necessite de acompanhamento específico.

Entre as principais ações desenvolvidas pelos Napnes estão acompanhamento e orientação pedagógica, psicológica e de assistência social, capacitação dos servidores, encaminhamento à rede pública de atendimento especializado e contato com os familiares.

Durante este ano, o regimento dos Napnes será revisto para que alguns ajustes sejam feitos, a fim de ampliar e qualificar o atendimento aos alunos.

Trabalho que dá resultado

No Câmpus São Miguel do Oeste, foram cinco alunos atendidos durante o ano passado: um com baixa visão, um com dislexia e deficiência mental leve, um com problemas motores, um com deficiência mental leve e um com síndrome de Turner. A coordenadora Jacinta Marcom conta um dos casos mais exitosos do câmpus. “Quando a mãe trouxe o aluno para fazer a matrícula, veio conversar comigo para saber se a escola fazia a inclusão acontecer ou se ele seria mais um nos bancos escolares. Ela queria saber se a escola tinha condições de ter um segundo professor em sala de aula para atendê-lo melhor. Nós não tínhamos essa opção, mas me lembro que, naquele dia, eu disse à mãe que nós não tínhamos um segundo professor ainda, mas que tínhamos um lugar para o filho dela em nossa escola e que, com certeza, faríamos tudo para que ele se sentisse bem aqui. E mais do que isso, que ele pudesse aprender”, relata a coordenadora.

Jacinta conta ainda que a chegada do aluno mobilizou todos em prol da inclusão. “Hoje no segundo ano, ele enturmou-se com os colegas e é um aluno muito dedicado, que quer aprender. Tem uma garra muito grande e não espera nada cair do céu; ele vai atrás daquilo que quer. Conseguimos uma segunda professora para ele, Mariane Zilles, que tem feito um trabalho fantástico no acompanhamento do educando. Ele vem para o câmpus no turno oposto duas ou três vezes por semana e a professora interage com ele relendo e explicando o conteúdo de forma mais simplificada, pois ele tem muita dificuldade de interpretação”, explica.

A professora Mariane conta que o aluno começou a ler seu primeiro livro no semestre passado, pois não tinha o hábito da leitura. “Busquei livros de seu interesse e assim ele começou a ler diariamente em casa e na escola. Com essas atividades, percebeu-se a melhora na leitura, interpretação e na apresentação de trabalhos orais e escritos”, observa.

Conscientização e capacitação

No Câmpus Werninghaus, o núcleo tem investido na conscientização e na capacitação da comunidade escolar, realizando seminários de formação de servidores, principalmente para equipe pedagógica e docentes, para conhecimento dos vários tipos de deficiência. Em 2014, o câmpus teve cinco pessoas atendidas pelo Napne, sendo uma com surdez moderada, duas com baixa visão e duas com transtorno mental.

Afonso Vieira, coordenador do núcleo no câmpus, conta que no ano passado a equipe interdisciplinar do Napne aconselhou, como medida mais viável, o trancamento de matrícula e afastamento para tratamento de um aluno com transtorno mental. “Acompanhamos com a família o tratamento e verificamos o retorno do alunos três meses depois, já em condições de estudo. O aconselhamos a fazer menos disciplinas para não sobrecarregá-lo e ajudá-lo a permanecer na instituição e dar continuidade ao seu estudo”, relata.

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