Memórias não se aposentam: enfermagem é “colocar-se no lugar do outro”

7. agosto 2015 | Escrito por | Categoria: Câmpus Joinville, Cotidiano, Matérias, Sem categoria

foto_ondina_fala_portalSentimento de realização profissional, de ter feito parte da construção de um sonho coletivo, materializado na infraestrutura do Câmpus Joinville e no sucesso profissional dos alunos formados no curso técnico em Enfermagem.

A professora Ondina Machado de Marichal, uma das primeiras docentes da Escola Técnica que deu origem ao Câmpus Joinville, aposentou-se em 2013. Ondina calcula ter contribuído com a formação de cerca de 1,5 mil alunos, em cursos técnicos e de extensão, em Joinville e cidades próximas. Apesar de todos os avanços tecnológicos da Medicina, afirma que a principal característica de um profissional da saúde deve ser a empatia – colocar-se no lugar do outro. Ela fala sobre sua experiência na série “Memórias não se Aposentam”*.

foto_ondina1Ondina iniciou como professora do curso técnico em Enfermagem em 1995. Ela tinha 31 anos e muita experiência como enfermeira, atividade que continuou exercendo paralelamente à docência. “Muitas pessoas me diziam que eu deveria ser somente professora, que tinha vocação – colegas de trabalho, pacientes e alunos, todos diziam isso. Eu acreditei, mas tinha muita vergonha de falar em público. Então, um dia fui para a igreja vendo Jesus crucificado, e lembrei que alguém lá disse que toda a vergonha do mundo Jesus passou naquela cruz. Isso me inspirou e eu fui perdendo a vergonha aos poucos”, conta Ondina.

A instalação do primeiro curso e evolução do Câmpus

O curso técnico em Enfermagem do Câmpus Joinville foi criado em parceria com o Hospital Dona Helena, que disponibilizou a estrutura física para as aulas. Mais tarde, a então Gerência Educacional de Saúde de Joinville, vinculada à Florianópolis, foi transferida para um prédio cedido pelo Sindicato dos Mecânicos, no bairro Costa e Silva.

Segundo Ondina, a instalação da unidade em uma sede própria só aconteceu depois de muita luta. “Eu, os outros professores e os alunos fizemos passeatas e audiência pública até conseguir o terreno. No começo quase não tínhamos estrutura, não havia funcionários, a escrituração era feita por alunos bolsistas. Íamos para Florianópolis, nas reuniões semanais, e a BR 101 ainda nem era duplicada”, lembra.

Ondina conta que foram enfrentados muitos desafios. Em 2000, foi implantada a avaliação por competências e o Projeto de Ação Comunitária (PAC). No início foi difícil fazer o projeto sair do papel, mas o resultado foi gratificante. De 2000 a 2013, a professora Ondina coordenou mais de 30 projetos de ação comunitária. “É uma forma de devolver para a sociedade uma parte do que ela investe em nós. O aluno também passa a olhar o mundo com outros olhos e ainda aprende que a pesquisa não é um bicho de sete cabeças. Nossos alunos aprendem a falar em público, digo que eles saem ‘sem vergonha’ daqui”, recorda.

Em 2006, com o projeto de expansão e a implantação do Câmpus, surgiram mais desafios e novamente os resultados foram positivos. Para Ondina, ver “o pátio cheio de alunos é o mais gratificante”.

O trabalho nas extensões

De 1999 a 2002, os professores de Joinville ministraram cursos técnicos nas cidades de Canoinhas, Porto União, Mafra e Jaraguá do Sul a pedido das prefeituras, pois não havia profissionais habilitados a trabalhar nos postos de saúde e hospitais da região. Ondina recorda que os professores chegavam a ter 12 horas de trabalho por dia, além de orientar estágios no período de férias. “O resultado foi bastante positivo. Em Porto União, por exemplo, de uma turma de 40 alunos, formamos 38, e todos conseguiram emprego nas prefeituras”, conta.

Sentimento de realização

foto_ondina_alunosOndina se diz realizada ao ver a alta empregabilidade dos seus alunos, além do grande número que acaba optando pela graduação em Enfermagem. “Já fui cuidada e tive familiares cuidados por ex-alunos e vejo a qualidade da formação que eles têm. Temos toda infraestrutura, um laboratório modelo que foi montado peça a peça, desde a época da Escola Técnica. Nosso aluno aprende não somente a parte técnica, mas também humanização. Sempre procuramos formar nossos alunos para atuarem em instituições públicas, esse é o foco, mas muitos vão para a iniciativa privada”, ressalta.

Segundo Ondina, a principal qualidade do profissinal de Enfermagem é saber usar a empatia, saber se colocar no lugar das pessoas. “Mesmo com todo o avanço tecnológico, se a pessoa não tem empatia, não fica muito tempo na área”, completa.

  • A série de entrevistas “Memórias não se Aposentam” é um projeto do Centro de Memória, Documentação e Cultura do IFSC (CMDC – IFSC). O objetivo é preservar um patrimônio valioso: a memória dos servidores aposentados, que muito contribuíram para a instituição ser o que é hoje, e resgatar fatos que marcaram a história do IFSC na visão de seus protagonistas. A série será publicada no site do IFSC quinzenalmente, às sextas-feiras.
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