Memórias não se Aposentam: Elpídio acompanhou crescimento do Câmpus Florianópolis

25. setembro 2015 | Escrito por | Categoria: Câmpus Florianópolis, Cotidiano, Matérias
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Elpídio na antiga oficina.

O encarregado de manutenção Elpídio de Souza Lopes acompanhou o crescimento do Câmpus Florianópolis. Ele é o entrevistado da semana do projeto “Memórias não se Aposentam”*.

Elpídio ingressou na então Escola Industrial Federal de Santa Catarina em 1963, pouco depois da mudança para o prédio da rua Mauro Ramos – hoje Câmpus Florianópolis. Foi avisado da vaga por uma irmã e uma sobrinha que já trabalhavam na Escola e foi contratado, aposentando-se em 1991.

Quando chegou, havia apenas o prédio principal e as oficinas. Aos poucos, acompanhou a construção de novos blocos, o surgimento de novos cursos, a chegada de mais servidores e alunos. Contratado como servente, formou-se como eletricista e foi trabalhar na manutenção. “Naquela época, os cursos eram de alfaiataria, carpintaria, fundição, colchoaria, entalhação e torneiro mecânico. Quando passou a ser Escola Técnica, esses cursos foram eliminados e foram criados novos, como elétrica, mecânica de automóveis, bem diferentes do começo”, recorda.

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As máquinas que utilizava no trabalho.

Na década de 60, ainda havia o internato e o restaurante, extintos no início dos anos 70. Segundo Elpídio, esses alunos vinham do interior, onde não havia muitas oportunidades para estudar.

Sobre o contato com os alunos, lembra que muitos viraram professores. “Hoje tem professores e a gente tem intimidade de quando eram alunos”. Muitas vezes, Elpídio atendia os alunos das disciplinas práticas, que pediam ajuda para cortar canos, preparar madeira para fazer experimentos e construir equipamentos.

Recorda dos primeiros cinco ou seis anos de trabalho, quando o salário atrasava e tinha que “fazer ginástica” para manter as contas em dia. Observa que o salário dos servidores foi melhorando com o tempo e, pouco antes de se aposentar, adquiriu a estabilidade por meio de decreto que incorporou os servidores públicos não concursados à nova legislação.

Natural de Florianópolis, viveu no centro da cidade, na rua Duarte Schutel, na juventude. Atualmente mora na Costeira do Pirajubaé. Casou-se e teve três filhos, duas mulheres e o filho caçula, Antônio Marcos, que se formou no curso técnico em Eletrotécnica.

Elpídio passou por diversos diretores, mas a maior parte do trabalho foi na gestão de Frederico Büendgens, de 1964 a 1986. “Ele não falava muito com a gente. Só fazia mais contato quando a gente precisava de material e tinha que trazer o bloco para ele assinar, autorizar retirar do almoxarifado. Ele começou a falar comigo depois que ele se aposentou”, recorda. O segundo que ficou mais tempo foi Alfeu Hermenegildo.

A amizade que continua

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Aposentado mostra local onde era a oficina na década de 60, hoje transformada em sala de aula.

Elpídio conta que sente falta das amizades que fez durante os quase 30 anos de trabalho. “Naquela época não tinha terceirizado, era todo mundo funcionário. Alguns achavam que não dava e saíam, mas a maioria se aposentou aqui. Então, a gente tinha muita amizade, porque trabalhava todo mundo junto”, conta. Para ele, a Escola foi uma verdadeira família, e lamenta que muitos tenham se afastado: “muios eu não vi mais, não sei mais onde estão. A gente convida, mas nem todos vêm”.

Mesmo aposentado, Elpídio continua ligado à Escola, participando da CPPA, das reuniões e das viagens. Toda quarta-feira pela manhã, participa das reuniões da Comissão, dos passeios e almoços nas casas dos colegas. Em 2013, participou de um curso de marcenaria, outra atividade que sempre gostou. Mesmo enquanto ainda trabalhava, nas horas de folga, fabricava diversos brinquedos, como carros, caminhões, e móveis em miniatura para crianças.

Atualmente, acha que a instituição poderia dar mais atenção aos antigos funcionários. “Acho que isso faz parte da natureza do brasileiro. O trabalhador se aposenta e fica esquecido. Não tem mais uma assistência, um contato. Acho que deveria ter uma atenção porque ninguém fica eterno, quem trabalho hoje, é um dirigente, amanhã vai ser um aposentado”.

* A série de entrevistas “Memórias não se Aposentam” é um projeto do Centro de Memória, Documentação e Cultura do IFSC (CMDC – IFSC). O objetivo é preservar um patrimônio valioso: a memória dos servidores aposentados, que muito contribuíram para a instituição ser o que é hoje, e resgatar fatos que marcaram a história do IFSC na visão de seus protagonistas. A série é publicada no site do IFSC quinzenalmente, às sextas-feiras.

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