Pesquisa de professora do Câmpus Florianópolis analisa toxicidade em reservatórios de abastecimento de água

13. junho 2016 | Escrito por | Categoria: Câmpus Florianópolis, Cotidiano, Matérias

debora_IFSC_florianopolis_pesquisaDoutoranda em Ecologia pela UFSC, Débora Brentano, professora do Câmpus Florianópolis, está realizando parte do seu doutorado em Sydney, na Austrália, no Laboratório do professor Brett Neilan, um dos laboratórios com melhor reputação do mundo em pesquisas de cianobactérias.

Em junho, o artigo “Abiotic variables affect STX concentration in a meso-oligotrophic subtropical coastal lake dominated by Cylindrospermopsis raciborskii (Cyanophyceae)” ou, em português “Variáveis abióticas afetam a concentração de STX em uma lago costeiro subtropical meso-oligotrófico dominado por Cylindrospermopsis raciborskii (Cyanophyceae)”, foi publicado na publicação “Harmful Algae”, avaliada pela Capes com a mais alta nota: A1.

Bióloga, mestre em Engenharia Ambiental, Débora explica que o artigo é fruto dos dois primeiros anos de pesquisa do doutorado. “Cylindrospermopsis raciborskii (Cyanophyceae) é uma cianofícea (alga azul) capaz de produzir toxinas, dentre as quais saxitoxina (STX). Saxitoxinas são um grupo de neurotoxina que agem bloqueando os canais de sódio e potássio da membrana celular e interferem nos canais de cálcio. A consequência, em humanos, é a interrupção da condução do impulso nervoso, que causa paralisia muscular e interfere no sistema cardíaco, podendo levar a morte, dependendo da dose”. De acordo com a professora, a cianofícea é muito bem adaptada a diversos ambientes e domina muitos reservatórios destinados ao abastecimento humano, como é o caso da Lagoa do Peri, de onde foram isoladas cepas, que agora estão na Austrália. “Estou conduzindo experimentos em laboratório para confirmar se os dados que encontramos em campo se repetem em laboratório. Especialmente, quais os sais mais associados ao incremento da produção de STX”.

Na pesquisa, Débora trabalhou com modelagem matemática para identificar se havia relação entre as variáveis abióticas (temperatura, condutividade, pH, nutrientes, etc.) e a concentração de toxina no lago. “Esta informação é extremamente relevante do ponto de vista de gestão dos recursos hídricos para abastecimento humano, uma vez que identifica possíveis momentos críticos e antevê o risco de aumento da concentração da toxina na água”, explica.

“O IFSC concedeu-me licença para a conclusão do doutorado, o que me proporcionou progredir com esta pesquisa fora do Brasil. Como consequência desta parceria internacional, esperamos outras publicações de qualidade. O incremento do currículo dos pesquisadores do IFSC com publicações bem avaliadas pela CAPES (com QUALIS alto) é o que nos garante competitividade na disputa por editais de fomento à pesquisa no Brasil e no exterior. A conquista destes editais significa mais recurso para equipar laboratórios, conceder bolsas a alunos e gerar resultados relevantes nas nossas áreas de pesquisa. Especialmente, publicar em jornais de relevância mundial colaboram para construirmos o reconhecimento de uma cultura de pesquisa dentro dos Institutos Federais”, finaliza Débora.

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