Projeto promove intervenções artísticas no Câmpus Itajaí

23. junho 2016 | Escrito por | Categoria: Câmpus Itajaí, Cotidiano, Matérias

paineis 002Quem passa pelo hall do Câmpus Itajaí observa que as paredes brancas deram lugar ao colorido de duas obras. São grafites que foram feitos pelos alunos do Câmpus e pela artista plástica Monique Cavalcanti, conhecida como Gugie. As obras são o resultado de um trabalho coletivo que foi desenvolvido no último sábado (18) e faz parte das atividades do projeto de extensão “Oficinas temáticas, mediadas por linguagens artísticas, com adolescentes da rede de ensino de Itajaí e do curso integrado em Mecânica do IFSC/Itajaí”.

As obras foram feitas após um workshop com a artista em que ela ensinou técnicas de grafite para os alunos. “O grafite e o hip hop lutam contra a exclusão social e nesta obra nós escolhemos duas imagens de mulheres olhando para o horizonte. A proposta foi trabalhar temas como identidade, gênero e autoconhecimento que já vêm sendo discutidos no projeto de extensão.”

_MG_0401Guggie é formada no curso técnico em Eletrotécnica do Câmpus Florianópolis do IFSC e conta que o curso a ajudou a escolher sua atual profissão. “Eu gostava muito das aulas de desenho técnico e a partir desse interesse é que eu comecei a desenhar como hobby.”

fotos_IFSC 231Daniel Ramos Santana, do curso técnico integrado em Mecânica, nunca havia feito um grafite. “Eu gostei muito da atividade porque conheci um pouco mais da história do grafite. Eu tenho um amigo que faz grafite e agora fiquei ainda mais interessado em conversar com ele sobre isso.”

anonymousAlém do painel feito pelos alunos com o auxílio da artista, os estudantes fizeram intervenções artísticas pelo Câmpus. Em uma delas, eles fizeram um flash mob. “Nossa proposta foi fazer uma dança utilizando a máscara Anonymous. A ideia surgiu nas aulas de Artes, quando a professora passou uma atividade em que nós teríamos que fazer uma intervenção em um local público e escolhemos fazê-la no Câmpus”, explica João Pedro Regado, aluno do curso técnico integrado em Mecânica.

O sábado também foi marcado pela exibição do documentário “As quatro estações de Iracema e Dirceu” e por uma conversa com a autora da reportagem a jornalista do Diário Catarinense Ângela Bastos. O vídeo conta a história do casal Iracema e Dirceu e seus 14 filhos que moram em Timbó Grande, Santa Catarina. “No Censo de 2010, Santa Catarina foi o estado que registrou o menor percentual de moradores em situação de extrema pobreza e havia a possibilidade de que o estado poderia ser o primeiro a erradicá-la. Eu resolvi então procurar uma família que tivesse esse perfil e encontrei a Iracema e o Dirceu.”

angelaA jornalista acompanhou a família por mais de dois anos e durante este período, ela presencio as dificuldades enfrentadas para superar a pobreza. “Santa Catarina não conseguiu erradicar a pobreza extrema, inclusive a população nessa faixa de renda, em que a renda per capita é inferior a R$ 70 por mês, aumentou durante este período, passou de 102 mil para 126 mil.”

Com a reportagem, a jornalista ganhou o prêmio 37° prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, na categoria internet. “É a primeira vez que eu falo sobre essa reportagem para alunos desta faixa etária. É importante para mostrar que esta realidade não está tão longe deles, Timbó Grande fica a cerca de 450 km de Itajaí.”

Brenda Barbosa, do curso técnico integrado em Mecânica, já havia visto a reportagem e escrito em um trabalho em que falava das impressões que teve. Em uma folha de caderno, ela havia escrito: “Quantidade de filhos é sinônimo de pobreza?”. “Para mim foi bastante impactante saber que em um estado rico como Santa Catarina ainda há tantas pessoas passando por dificuldades.”

Os trabalhos produzidos pelos alunos sobre o documentário foram expostos em um mural na entrada do auditório. Todas as atividades realizadas fazem parte da programação do projeto de extensão “Oficinas temáticas, mediadas por linguagens artísticas, com adolescentes da rede de ensino de Itajaí e do curso integrado em Mecânica do IFSC/Itajaí”.

Por Beatrice Gonçalves | Jornalista IFSC

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