Artigo: Orientações para gestantes sobre o novo coronavírus

8. maio 2020 | Escrito por | Categoria: Coronavírus, Matérias, SIASS

Equipe do SIASS – IFSC

Pouco se sabe sobre o Covid-19, pois é uma doença de aparecimento recente. Assim, considere que as orientações a seguir são provisórias e derivam, em parte,  da semelhança apresentada com infecções causadas por outros vírus em gestantes ( tais como SARS- CoV, MERS-CoV e H1N1).

  1. Quais os cuidados gerais que a gestante tem de ter?

Se você estiver grávida, deve tomar todos os cuidados recomendados para a população geral, só que redobrados, para garantir a sua segurança e a do bebê. Evite aglomerações, contato com pessoas febris ou com pessoas apresentando manifestações de infecção respiratória, preste atenção à higienização das mãos e tente evitar o contato das mãos com a boca, nariz ou olhos.

Se  você trabalha em atividade essencial de alto risco de contágio (como médicas e enfermeiras) converse com o setor de medicina de trabalho de seu órgão para verificar se há indicação de trabalho remoto ou mudança para setor com pouco contato com outras pessoas.

  1. Há risco maior de doença grave em grávidas?

Ainda que infecções virais como a gripe por H1N1 tenham sido associadas a uma evolução obstétrica e neonatal por vezes desfavorável, até onde se sabe, a infecção pelo novo coronavírus não parece ter maior gravidade em gestantes quando comparada à população geral (forma grave em 5% dos casos). Cabe lembrar que a maioria dos casos relatados na literatura se encontravam na segunda metade da gestação.

  1. Como o diagnóstico do novo coronavírus é feito em gestantes?

Segue o mesmo protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde para a população geral e observa os mesmos critérios de verificação de gravidade.

  1. A gestante que não tem sintomas deve fazer o pré-natal?

Tomando os devidos cuidados com a higiene, evitando aglomerações e usando máscaras, se você não apresentar sintomas, deve continuar as ações de cuidado pré-natal. Os serviços de atenção pré-natal e as maternidades já estão orientados a fazer triagem para separar as pessoas que estão apresentando algum sintoma respiratório das demais. Converse com seu médico sobre a frequência das avaliações necessárias. De um modo geral, é muito importante manter o atendimento da primeira consulta do pré-natal e daquelas gestantes com complicações, consideradas de alto risco ou que estejam com 36 semanas ou mais. É desaconselhável neste momento o pré-natal com o parceiro.

  1. E se a gestante tiver sintomas gripais?

Se você tiver sintomas gripais adie consultas e exames de rotina por 14 dias, mas contacte imediatamente o seu médico ou o serviço de atenção básica à saúde. Eles devem avaliar clinicamente a gravidade de seus sintomas gripais e tratar conforme protocolo do Ministério da Saúde. Atenção: toda grávida (em qualquer idade gestacional) e puérpera (até duas semanas depois do parto inclusive quando houver aborto ou perda fetal) deve conversar com o seu médico, mesmo que tenha sido vacinada contra a gripe, pois, pelo risco de gravidade se tiverem H1N1, há um protocolo específico do Ministério da Saúde para estas pessoas.

Se você for gestante de grupo de alto risco ou se apresentar falta de ar, desconforto no peito, saturação de oxigênio inferior e 95%, descompensação de eventual doença de base ou redução dos movimentos do feto, você deve ser encaminhada para um hospital.

  1. E se a gestante não tem sintomas, mas teve contato com uma pessoa com suspeita de coronavírus?

Se isso aconteceu com você, permaneça em isolamento em casa, meça a temperatura e observe atentamente como você está. Se apresentar febre e/ou outros sintomas gripais, siga a recomendação descrita no item cinco.

  1. E as puérperas? Devem fazer seguimento?

A equipe de saúde deve manter o atendimento especialmente à primeira consulta de puericultura e às crianças com complicações, em seguimento especializado e que ainda não fizeram o teste do pezinho. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde orientam a manter a amamentação por falta de elementos que comprovem que o leite materno possa disseminar o novo coronavírus.

  1. Qual o tratamento do coronavírus em grávidas?

Se você não for do grupo de risco e seu médico não considerar que tenha sinais de gravidade, faça repouso, tome bastante líquido, use paracetamol para baixar a febre e outras medicações que o médico tenha receitado a partir do protocolo específico do Ministério da Saúde para gestantes e puérperas. Se tiver algum sinal de gravidade como falta de ar ou baixa de oxigenação e estiver sendo atendida em alguma unidade básica de saúde, o médico colocará um cateter de oxigênio e a encaminhará ao hospital. Se estiver em casa e apresentar muita falta de ar, contate seu médico e vá direto para um hospital. Lá, será avaliada a melhor forma de lhe proporcionar conforto respiratório e provavelmente será realizada uma tomografia para avaliação da condição dos pulmões. Não importa em que período da gestação você está: se houver necessidade de descartar uma pneumonia, o exame radiológico deve ser feito e não protelado.

  1. Há alguma recomendação para o acompanhamento posterior de gestantes que tiveram o coronavírus? 

Sim. Mesmo que não existam dados atuais sobre a evolução dessas gestações, recomenda-se atenção quanto ao crescimento do feto. Em infecções por outros coronavírus, tipo SARS e MERS, já houve relatos de alterações na placenta e maior frequência de atraso de crescimento do feto.

  1. Qual o desfecho da gestação em pacientes que tiveram coronavírus? 

Até o momento, 47% das gestantes diagnosticadas com COVID-19 tiveram parto antes do tempo (a maior parte destes após 36 semanas de gestação), algumas por sofrimento do feto. Assim, há necessidade de monitorar estas gestações durante o pré-natal e também durante a internação no hospital.

  1. Há transmissão da gestante para o feto?

Segundo informações do Ministério da Saúde, é improvável que você transmita o vírus para o feto/recém-nascido (RN) antes ou após o nascimento. A dificuldade do vírus em romper a barreira da placenta talvez se explique pelo número muito reduzido na interface materno fetal dos receptores que o coronavírus precisa para entrar na célula (os receptores tipo 2 da enzima conversora da angiotensina).

No entanto, a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia recentemente recomendou cautela, pois houve relato de alguns casos na China em que anticorpos foram achados em recém nascidos duas horas após o nascimento. Três destes recém-nascidos apresentaram alterações clínicas compatíveis com coronavírus, mas evoluíram bem.

  1. Há risco de má formação do feto? 

Em relação ao risco de malformação do feto, pouco ou nada se sabe sobre a COVID-19, especialmente porque os casos relatados até o momento são de mulheres infectadas na segunda metade da gestação. Nenhuma dessas crianças apresentou alterações morfológicas. Contudo, quando disponível, é prudente fazer ultrassonografia morfológica no segundo trimestre em mães com infecção pelo novo coronavírus.

  1. Qual a melhor forma – parto normal ou cesariana?

Para o atendimento obstétrico de gestantes com infecção pelo novo coronavírus, não há uma opinião única sobre a melhor via de parto, considerando o que seria melhor para a mãe e para o feto. Por semelhança com o que se observou em mulheres infectadas pelo H1N1 e outros coronavírus (SARS- CoV ou MERS- CoV), se você estiver em boas condições gerais, sem falta de ar e com boa taxa de oxigenação, pode se beneficiar do parto vaginal, bem como o feto. No entanto, se você apresentar dificuldade respiratória, mesmo com o risco anestésico, a cesariana seria a melhor opção.

  1. E a amamentação, como fica?

A liberação do aleitamento natural para mulheres infectadas por este vírus já não encontra a convergência de algumas semanas atrás. A Organização Mundial de Saúde sugere que, quando houver bom estado geral, a amamentação pode ser mantida, utilizando máscaras de proteção e higienização prévia das mãos.

Por sua vez, o Centro de Controle de Doenças Chinês contraindica o aleitamento natural a não ser que o teste de RT-PCR para o novo coronavírus esteja negativo no leite.

No Brasil o Ministério da Saúde segue a recomendação da Organização Mundial da Saúde. Até que dados adicionais sobre o aleitamento natural estejam disponíveis, as mães que querem amamentar e estão suficientemente bem, podem fazê-lo, tomando-se os devidos cuidados. Alternativamente, na fase aguda da doença, se a mãe quer amamentar mas a equipe de saúde sentir-se insegura de liberar o contato direto, o leite pode ser ordenhado e oferecido ao bebê.

Fontes: Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde de Santa Catarina, Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia.

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