Saúde mental no trabalho: “precisamos pensar de forma coletiva”

24. setembro 2020 | Escrito por | Categoria: Coronavírus, Gestão de Pessoas, Matérias, SIASS

Setembro Amarelo - precisamos falar de saúde mentalNo início do mês, lançamos aqui no Link Digital um formulário para que os servidores do IFSC pudessem enviar sugestões de pauta para falarmos sobre saúde mental durante o “Setembro Amarelo”, mês de conscientização e prevenção ao suicídio. Nossa intenção foi aproveitar o mês para falar sobre saúde mental neste período atípico de pandemia pelo qual estamos passando. Entre as mais de 40 sugestões, os dois temas mais citados foram como conciliar o trabalho em casa com o cuidado com os filhos e como lidar melhor com o trabalho a distância e seus aspectos, como excesso de reuniões e mensagens instantâneas.

De acordo com a psicóloga organizacional do Câmpus Chapecó, Marta Elisa Bringuenti, essas mesmas preocupações fazem parte dos relatos dos servidores que buscam atendimento psicológico durante a pandemia. “A maior queixa que venho recebendo dos colegas servidores é conciliar o relacionamento intrafamiliar com a sobrecarga de trabalho. Até mesmo quem não tem família tem sofrido com isso”, afirma. Para a psicóloga, a solução é cada um pensar na sua saúde mental, mas também considere o coletivo. “Precisamos pensar de forma coletiva, ter o cuidado, o respeito e o limite com os colegas”, alerta.

Aplicativos de mensagens e reuniões: use com moderação

Segundo Marta, os dois principais motivos de sobrecarga dos servidores nesse momento são o excesso de reuniões e o uso considerado abusivo do aplicativo de mensagem WhatsApp. Como há necessidade de manter a interação entre as equipes de trabalho e mesmo entre setores diferentes, há pessoas marcando reuniões o dia todo, inclusive simultâneas, com duas ou mais reuniões ao mesmo tempo. “A pessoa faz isso para dar conta, para conseguir essa sensação de que está desenvolvendo seu trabalho, que está participando. O problema é que para a instituição isso tem um reflexo muito negativo, pois esse servidor vai estar cognitivamente muito sobrecarregado, o que vai ter consequências de adoecimento”, afirma.

Aplicativos de mensagens são úteis, o problema é quando não são respeitados os limites entre “o estar no trabalho” e “o estar em casa”. Com isso, há uma perda da noção de tempo, como telefonar ou mandar mensagens para colegas de trabalho tarde da noite ou finais de semana. “A pessoa envia mensagem para não esquecer, esperando que o colega responda só no dia seguinte, mas aquele que recebeu a mensagem se sente constrangido em não responder na hora”, explica. Assim, não há mais separação entre a privacidade, o momento de descanso e o trabalho.

Atualmente, a ferramenta oficial de comunicação do IFSC é o e-mail. Porém, a maioria das discussões passa pelo WhatsApp, “a instituição está funcionando pelo WhatsApp”, alerta Marta. Mensagens instantâneas facilitam várias coisas, porém, trazem muitos problemas em termos de saúde mental para os servidores. Cuidado com os horários de envio de mensagens é uma das dicas. Outra, é o cuidado, por parte das chefias, de não sobrecarregar os servidores com processos e tarefas, pois para cada atividade, há pelo menos um grupo de WhatsApp, que causa uma sobrecarga de informação. “Se você pensar em processos, você consegue se vincular a 10 ou 12 no máximo, porque temos um limite. E o restante, funciona de forma automática”, avisa.

Há servidores trabalhando em horários diferentes do seu habitual, como durante a noite. São escolhas que o servidor pode fazer, de acordo com o que for melhor para ele. Porém, se precisar interagir com os colegas, precisa utilizar o e-mail e não o WhatsApp. O limite, segundo Marta, deve ser o horário institucional para a troca de mensagens.

Consequências do excesso de telas

O excesso de telas, reuniões e mensagens faz com que as pessoas desenvolvam a Síndrome de Burnout, que é um esgotamento resultante do trabalho. Nesse sentido, Marta observa um aumento no número de pedidos de afastamento do trabalho por questões de saúde.

Para a psicóloga, deve haver uma preocupação do servidor, e em especial as chefias, em pensar no bem-estar dos colegas. “Cada um tem uma realidade diferente. Mesmo aquela pessoa que não tem filhos, ela tem uma necessidade de descanso, de ter o seu momento. Então é preciso pensar dessa forma respeitosa, na nossa própria saúde mental e na do colega”, ressalta.

Para não haver essa sobrecarga, Marta orienta que é preciso haver uma conversa com as chefias para verificar quais atribuições o servidor deve realizar e quais demandas podem ser adiadas ou remanejadas.

Não entendeu? Peça feedback

Outra questão importante diz respeito aos “ruídos” na informação, em que uma mensagem ou e-mail pode ter uma interpretação diferente da intenção de quem enviou, ou enganos e esquecimentos decorrentes dessa comunicação a distância. Para evitar esses problemas, Marta sugere sempre haver um pedido de feedback e utilização de agendas e anotações para não esquecer compromissos e informações. “Quando não se tem a certeza que ouvimos bem ou interpretamos da forma correta a mensagem a melhor coisa é perguntar novamente sobre o que se quis dizer”.

Marta também alerta para que as pessoas possam “usufruir” do tempo que sobra, que não é trabalho. “Qual é a qualidade do tempo que ganhamos ficando em casa? As opções ficaram muito escassas, as pessoas se sentem sob pressão”, afirma, lembrando que usar o trabalho para preencher esse tempo gera mais frustração.

Veja dicas do Portal do Servidor, do Governo Federal, para organizar o trabalho em casa.

Veja algumas matérias que já foram publicadas no Link Digital e no Portal do IFSC sobre trabalho remoto e saúde mental:

Blog do IFSC – Como manter a saúde mental na pandemia

Link Digital – Artigos publicados pela equipe do Siass sobre saúde física e mental

Youtube do IFSC – Veja dicas para adaptar a casa ao trabalho e estudo remotos se preocupando com a ergonomia

Por Carla Algeri | Jornalista do IFSC

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