Explicando a Extensão: a importância da temática Direitos Humanos nos eventos e projetos

21. outubro 2021 | Escrito por | Categoria: Destaques

Hoje a série “Explicando a Extensão” vai abordar a importância da temática Direitos Humanos na elaboração de projetos e eventos extensionistas. Para isso, conversamos com professor de Filosofia do Câmpus São Carlos e presidente do Comitê Permanente de Direitos Humanos do IFSC, Felipe Schmidt.

Eventos são uma das modalidades em que a Extensão é realizada no IFSC (saiba mais sobre atividades de extensão). Têm duração máxima de 40 horas divididas em até sete dias consecutivos e podem ser parte de um programa maior de extensão. Devem envolver estudantes do IFSC, servidores, e gerar impacto para a comunidade externa. A realização de eventos de Extensão no IFSC dá-se por meio de submissão de projetos de editais específicos, para participação de servidores e estudantes.

A inclusão da temática Direitos Humanos nos editais de Extensão, tanto para realização de eventos como demais atividades (cursos, projetos, entre outros) é um ganho para o IFSC, de acordo com Felipe. “A extensão é um caminho importantíssimo para debater sobre as relações interpessoais e o respeito aos direitos humanos. Trazer essa temática para reflexão pela comunidade acadêmica faz parte da missão educadora do IFSC”, destaca. Ele lembra que, nos últimos dois anos, os Direitos Humanos têm estado presentes nos editais como eixo transversal para projetos de ciência e tecnologia. Segundo ele, a temática não deve ser uma preocupação apenas dos servidores entusiastas e voluntários pela causa: é preciso que o IFSC aprove e coloque em prática uma Política de Direitos Humanos que perpasse as ações de todas as pró-reitorias como parte essencial do processo formativo para a consolidação da democracia e da emancipação cidadã.

Como exemplo de evento voltado a uma das temáticas dos Direitos Humanos, Felipe cita a realização do Encontro Nacional dos Servidores Negros e Indígenas dos Institutos Federais (Enegris), em março de 2021, e que reuniu mais de 600 participantes no formato on-line. “Foi um evento agregador, que a gente pode trazer para o debate a educação antirracista, acolher e aproximando as pessoas negras e pessoas cotistas das instituições federais”.

Outro exemplo é o Edital Protagonismo Discente, em que estudantes do IFSC podem propor projetos de intervenção na sociedade. Para participar, estudantes interessados precisam fazer uma formação, que aborda também a forma de trabalhar Direitos Humanos na Extensão. Felipe, que participa como professor dessa formação de extensionistas, acredita que, para os estudantes, é importante a participação na organização de eventos e demais projetos de Extensão, como oportunidade de conhecer a realidade da comunidade em que vivem, “percebendo as desigualdades, as discriminações, as relações de poder e as questões político-econômica, sociais e culturais em algumas. Como resultado dos projetos de extensão, o estudante pode identificar algumas realidades e estar consciente delas. Isso é a significação do conhecimento científico para a aplicação na vida, na realidade do mundo”, afirma.

Eventos e a pandemia

Desde março de 2020, com a pandemia de Covid-19, os eventos de Extensão no IFSC estão sendo realizados de forma remota. Para Felipe, essa mudança, por um lado, possibilitou que os eventos alcançaram uma abrangência maior entre os câmpus e até chegando a outras regiões, como o próprio Enegris, que reuniu pessoas de todo o Brasil.

Por outro lado, a “humanização” do contato presencial foi um pouco perdida, o isolamento dificultou bastante a interação entre os extensionistas e a comunidade. Também muitas pessoas sem acesso à internet e recursos digitais foram excluídas do processo. Agora, com a volta gradual das atividades, novos formatos e maneiras de utilizar a tecnologia e contato presencial podem surgir e contribuir com o alcance dos projetos de Extensão.

Por Carla Algeri | Jornalista do IFSC

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